José de Alencar
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Livros do autor
Synopsis
“A lenda de Iracema, uma índia do povo dos Tabajara que se apaixona por Martim, um explorador português, contada numa história de amor sobre as origens do estado brasileiro do Ceará e do próprio Brasil. Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna Publicado pela primeira vez em 1865, “Iracema”, a obra de José de Alencar, apesar de curto, é um dos mais belos romances da literatura brasileira e um exemplo perfeito do que se entende como um Romance Poético ou um Poema em Prosa, na medida em que a descrição narrativa empregue usa a conjugação do ritmo musical das palavras com uma comparação bucólico entre as personagens e ações para dar um tipo de musicalidade ao texto, que se encontra mais na poesia do que na prosa. A história decorre no início do século XVII, um século depois da chegada dos portugueses a terras brasileiras mas que só então estavam a começar a sua expansão pelo território. Este lapso de tempo entre a chegada e a expansão territorial tem explicação: Portugal ainda não tinha visto as potencialidades que o novo mundo lhe poderia trazer e preferiu durante muito tempo priorizar a conquista de territórios no Oriente e reforçar aí as rotas marítimas. Nos primeiros anos, as únicas atividades em território brasileiro limitaram-se à extração do pau-brasil nas regiões costeiras do país, tendo para isso colaboração dos índios, em troca de alguns produtos e utensílios. Depois, com a morte prematura de D. Sebastião e a tomada do trono por Filipe II de Espanha (por legitimidade sucessória), a exploração do novo território entrou em estado de impasse, pois os três Filipes que também reinaram sobre Portugal preferiram concentrar meios e fundos a combater os Maias na América Central que, como estavam organizados num império, souberam dar-lhes luta aguerrida. No entanto, aconteceu que nações como a França e a Holanda quiseram também reivindicar o direito sobre terras do novo mundo, ao sul, sob o principio de “uti possidetis” (possessão por uso). Foi isto, claro, que fez com que se acelerasse a expansão territorial brasileira, com o envio de exploradores e guerreiros em expedições de reconhecimento pelo território de modo a assegurar a reivindicação lusa sobre as terras. Estes homens tinham como objectivo mapear as regiões, estabelecer contacto com os nativos, encontrar locais propícios ao estabelecimento de povoações coloniais e, sobretudo, impedir a tomada de terras pelos Franceses e Holandeses. Um desses exploradores coloniais foi Martim Soares, mandado pela Coroa desbravar a região nordeste. Entre 1603 e 1612 ele percorreu o território, tomou contacto com povos nativos, viveu entre eles e aprendeu a sua língua e costumes, fazendo alianças que viriam depois a tornar-se importantíssimas no combate entre Franceses e Holandeses. É neste período histórico que se situa esta lenda, contada por José de Alencar, sobre a relação da índia Iracema e de Martim. Mas apesar de Alencar se ter baseado em factos da vida de Martim Soares, tal como, por exemplo, a sua relação de amizade com o índio Poti, que existiu realmente, o mesmo não se pode dizer de Iracema. Tenha ele ou não conhecido “uma Iracema”, o certo é que nunca o deixou registado. Iracema, é uma personagem metafórica, a começar pelo próprio nome pois “Iracema” é um anagrama de “América”. Ela representa o estado virgem da região brasileira, sendo, inclusive, constantemente comparada a elementos da natureza. Já Martim representa o colonizador europeu, o arauto e, ao mesmo tempo, o germinador de um período de transformação para a região. A junção dos dois serve de alegoria à formação da nação brasileira, como nação e como povo. É uma grande obra, inserido no grupo de histórias, reais ou aficionadas sobre a relação entre duas personagem de terras e culturas diferentes em que decorrem os temas de choque civilizações e de amores impossíveis. Diferenças entre as duas versões (Original e em Pt-Pt) A versão original é uma cópia tirada da Biblioteca Digital do Ministério da Educação Brasileiro. Apenas se alterou alguns aspetos ortográficos desatualizados como “cousa” = coisa ou “noute” = noite. A maior parte das anotações originais do autor mantiveram-se em Apêndice, no final da obra, tal como se encontrava; apenas se incluiu algumas, em adenda no próprio texto, que se acharam pertinentes para a interpretação de determinadas partes da obra. A versão em pt-pt foi alterada ortograficamente nos aspetos que diferem em Portugal, como por exemplo: úmido = húmido. Foi ainda acrescentado artigos aos pronomes possessivos, em que se entendeu estar mais coerente com o discurso utilizado em Portugal como por exemplo: e seu irmão = e o seu irmão. Foram ainda feitas algumas pequenas alterações à forma do discurso mas tendo sempre o cuidado de não alterar nem o sentido original nem o próprio estilo próprio da obra. Ainda na versão em pt-tp as anotações originais do autor foram postas em adendas no texto e acrescentadas mais algumas. Para além disso foram acrescentados sinónimos, em parêntesis, sempre que uma palavra não tinha correspondência em Portugal, por exemplo: tamanduá (papa-formigas); sabiá (pássaro típico do Brasil, símbolo nacional brasileiro); carnaúba (uma árvore). https://www.luso-livros.net/Livro/iracema/”